TV Ao Vivo

Tarifaço: Durigan diz que nova tarifa dos EUA retoma 'na marra' taxa derrubada pela Suprema Corte

Governo brasileiro vai acionar instrumentos da lei da reciprocidade O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (23) que a nova tarifa de 1...

Tarifaço: Durigan diz que nova tarifa dos EUA retoma 'na marra' taxa derrubada pela Suprema Corte
Tarifaço: Durigan diz que nova tarifa dos EUA retoma 'na marra' taxa derrubada pela Suprema Corte (Foto: Reprodução)

Governo brasileiro vai acionar instrumentos da lei da reciprocidade O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (23) que a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros foi uma forma de o governo de Donald Trump retomar "na marra" as "tarifas recíprocas", derrubadas pela Suprema Corte dos EUA. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "Essa tarifa pega 99% das exportações para os EUA, o que me faz concluir que é um mero expediente para substituir aquela tarifa anterior, que caiu na Suprema Corte. O próprio presidente Trump disse, então, que daria um jeito de fazer a tarifa voltar. Deram um jeito. Não tem justificativa. Deram um jeito de, na marra, colocar a tarifa. Nesse caso, para todas as grandes economias do mundo, inclusive o Brasil", disse o ministro em entrevista à BandNews TV. "O governo rechaça, com todas as forças, mais essa tarifa injustificada, unilateral aplicada a um país que tem renda per capita menor do que os EUA e tem déficit em relação aos EUA", afirmou ele.  Durigan classificou a tarifa como "injustificada e unilateral". Segundo o ministro, o Brasil manteve conversas com a administração Trump, sempre com "boa vontade". "A gente mesmo se pergunta (o porquê das tarifas). A gente teve várias conversas, na maior boa-fé, diferentemente do que se alegou, e, mais uma vez, a gente é punido", comentou. Na prática, as novas tarifas substituem a taxa global de 10% anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, em fevereiro deste ano, logo após a Suprema Corte dos EUA derrubar as "tarifas recíprocas" impostas pelo republicano no ano passado. A medida havia sido adotada com base na Seção 122 da legislação comercial americana, que permite ao presidente impor tarifas temporárias por até 150 dias. Esse prazo se encerra nesta sexta-feira (24). Na ocasião, o presidente americano havia adiantado que recorreria à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais. O ministro Dario Durigan em entrevista ao g1 Reprodução/TV Globo Nova taxação dos EUA Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova tarifa sobre importações de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil. As alíquotas variam entre 10% e 12,5% e entram em vigor às 0h01 desta sexta-feira (24), no horário de Washington. Segundo o governo americano, a decisão é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. A apuração concluiu que esses países adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O governo americano adotou dois tipos de tarifas: Países que adotaram medidas para proibir essa prática estarão sujeitos à tarifa de 10%. Aqueles que não implementaram essas restrições foram enquadrados na alíquota de 12,5% — caso do Brasil. Mais uma vez, porém, os principais produtos da pauta exportadora brasileira ficaram de fora da medida, pois estão na extensa lista de exceções definida pelo USTR. Ao todo, são mais de 2 mil itens que não serão taxados para nenhuma das economias. (veja aqui a lista de produtos isentos) Segundo o relatório divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) no início de julho, essa prática foi considerada "irracional" e prejudica o comércio americano ao criar condições de concorrência consideradas desleais para empresas e trabalhadores dos EUA. 🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil pode passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%.